quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Consertar um país



Políticas públicas precisam levar em conta desigualdades, diz assessor do Pnud
  • 31/01/2018 17h34
  • São Paulo





Daniel Mello – Repórter da Agência Brasil
O assessor sênior do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), Haroldo Machado, afirmou hoje (31) que é preciso identificar as diversas formas de desigualdade para desenvolver políticas públicas que contemplem toda a população.

“É fundamental desagregar os dados para ir além das médias estatísticas", disse Machado, ao falar sobre os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável em um evento promovido pelo Tribunal de Contas do Estado de São Paulo. Esses objetivos são as 17 metas negociadas entre os 193 países membros da Organização das Nações Unidas, apontando soluções para os grandes problemas sociais e ambientais até 2030.

Segundo o assessor do Pnud, as médias estatísticas no Brasil não revelam todas as histórias. "Enquanto a média de vida da população brasileira é 76 anos, a média de vida de uma pessoa trans no Brasil é 34 anos”, ressaltou Machado.

As assimetrias se apresentam de diversas formas, destacou Maitê Gauto, especialista em políticas públicas da Fundação Abrinq, sobre como uma metrópole pode conter realidades radicalmente diferentes. “A cidade de São Paulo tem um índice de desenvolvimento considerado alto, mas dentro da cidade existem bolsões de pobreza extrema”, enfatizou.

Trabalho integrado
Além do diagnóstico cuidadoso, para conseguir adotar medidas eficientes para problemas complexos ou crônicos, os municípios precisam atuar de forma transdisciplinar, fugindo da fragmentação característica da administração pública. “Um problema de educação acaba sendo de responsabilidade da Secretaria de Educação. Mas, na verdade, quando identificamos um problema como evasão escolar ou até o desempenho de alunos, a reação para enfrentar o problema muitas vezes depende de outras áreas da administração”, exemplificou o diretor executivo da organização não governamental (ONG) Agenda Pública, Sérgio Andrade.

Segundo Andrade, nesse sentido, os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável são uma forma de guiar tais ações, ao estabelecer linhas base de trabalho. “Os ODS trazem uma perspectiva de integração que facilita a cooperação. Tem um processo de alinhamento das prioridades da administração municipal”, acrescentou.

“Para problemas que têm causas interligadas, podemos organizar grupos de servidores, grupos de trabalho que possam coordenar as ações para que as causas do problema sejam vistas de forma intersetorial. É uma oportunidade muito valiosa do ponto de vista de trabalho em conjunto”, detalhou Andrade.

Gestão de recursos
Além da organização, a consultora da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo Márcia Vieira destacou a importância de um planejamento para a aplicação dos recursos disponíveis. A partir de um estudo analisando os gastos e resultados dos estados brasileiros com foco nos ODS, a especialista demonstrou que nem sempre os maiores aportes de dinheiro trazem benefícios proporcionalmente. “Por que alguns estados conseguem ter, com um gasto menor, um resultado melhor? Ainda não temos a resposta”, questionou.

“Mas gente acredita em alguns elementos, que têem a ver com alta especialização. Atitudes bem pontuais para transformar a realidade de um estado ou município podem fazer a diferença. A criatividade de lidar com poucos recursos, que não é fácil, não é brincadeira”, completou.
Edição: Nádia Franco

domingo, 31 de dezembro de 2017

Rio de Janeiro



Prefeito Marcelo Crivella defende grandes eventos no Rio com recursos privados
  • 31/12/2017 18h03
  • Rio de Janeiro
Léo Rodrigues - Repórter da Agência Brasil
O prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (PRB), defendeu hoje (31) a realização de grandes eventos na cidade com recursos majoritariamente privados. Segundo ele, assim como o réveillon, o carnaval precisará se tornar menos dependente da verba do poder público. A avaliação ocorreu durante uma visita ao palco montado em Copacabana, onde os artistas irão se apresentar mais tarde na festa da virada de ano.

"Nosso carnaval, como o nosso Rock in Rio, não precisa de dinheiro público. O Rock in Rio sobrevive sozinho e o nosso carnaval vai sobreviver sozinho também. Teremos um carnaval espetacular no próximo ano com mais verba privada do que pública. E o réveillon também", disse.

Em junho, Crivella havia anunciado que, para o carnaval de 2018, iria reduzir pela metade a subvenção às escolas de samba em função da crise econômica. Na ocasião, ele também criticou o aumento do repasse concedido pelo seu antecessor, o ex-prefeito Eduardo Paes (PMDB). Na última edição da folia, cada agremiação do grupo de elite recebeu cerca de R$ 2 milhões da prefeitura. Após o anúncio do corte, as escolas ameaçaram não desfilar, mas posteriormente retomaram o diálogo com o poder público para garantir o evento.

Crivella disse ainda estar eufórico com o sucesso da organização do réveillon. A prefeitura espera 3 milhões de pessoas na praia de Copacabana, o que seria um recorde. De acordo com estimativas da Empresa de Turismo do Município do Rio de Janeiro (Riotur), os turistas devem injetar R$ 2,2 bilhões na economia do município.

"Foi um ano difícil, mas que está terminando de uma maneira muito positiva. Estamos mostrando ao Brasil e ao mundo que nós, cariocas, somos capazes de superar nossas crises, de enxugar nossas lágrimas, de acreditar na nossa força e na pujança do nosso povo".

O presidente da Riotur, Marcelo Alves, disse que 82% dos recursos investidos no réveillon de Copacabana não saíram do caixa da prefeitura. O percentual envolve os investimentos em três eventos: além da festa da virada, um baile-show da Orquestra Tabajara deu início às celebrações de réveillon na sexta-feira (29) e um encontro de todas as escolas de samba do Grupo Especial com a Orquestra Sinfônica da Petrobras encerrará a programação no próximo sábado (6). Entre os patrocinadores estão o Ministério da Cultura, a Caixa Econômica Federal, a Petrobras, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), a Ambev e a TIM.

Segundo Marcelo Crivella, buscando recursos privados, o Rio de Janeiro sediará outros grandes eventos. "Antes tínhamos só três grandes eventos anuais: o réveillon, o carnaval e o Rock in Rio. Agora serão 12 grandes eventos. (...) Teremos atrações durante todo o ano. Isso é para ficarmos animados. E já começa semana que vem com o encontro de todas as escolas de samba com a Orquestra Sinfônica da Petrobras, que vão se reunir aqui nesse palco monumental". A expectativa da prefeitura é que a união de ritmistas forme a maior bateria, garantindo um registro Guinness, o Livro dos Recordes.

Balanço
Questionado sobre o cumprimento de apenas nove das suas 54 promessas durante a campanha eleitoral, Crivella fez um balanço positivo de seu primeiro ano de governo. "Viramos o ano sem crise de greve de funcionários, nem professores e nem garis. Não atrasamos um mês de salário, nem o 13º. Não tivemos hospitais fechados. Não tivemos crise da dengue e nem inundação da cidade. Temos mais a comemorar do que essas tantas promessas que ainda temos três anos para cumprir", disse.

"Esse primeiro ano foi arrumação de casa. Nós recebemos o Rio de Janeiro com R$ 4 bilhões de contas para pagar. Além disso, 350 mil cariocas nos últimos dois anos perderam empregos com carteira assinada. Nossos hospitais receberam muito mais pessoas que agora estão sem plano de saúde. As escolas públicas também absorverem alunos que vieram da rede particular", acrescentou o prefeito.
Edição: Aécio Amado

terça-feira, 31 de outubro de 2017

Complexo, complexo



COMPLEXO TROPICAL COM COBRAS E CROCODILOS












A despeito da intensa movimentação social dos seus moradores, e a forte atuação de suas associações, institutos e fundações, esse tremendo curral eleitoral continua com seus antigos problemas de infraestrutura, oriundos do mal ou nenhum planejamento: jogou-se pessoas ali, amontoaram numa pressa estranha, no velho e costumaz ajeitamento a que sempre vemos nesse pais.

Nenhum aparelho urbano\humano, sequer escolas foram pensados. Agora seu moradores tentam consertar. Não há recursos ou interesses e as coisas vão assim: cobras pelas ruas e quintais
Inundações, ausência de água tratada, ausência de governo, o que é pior. E não tem como transferir responsabilidades de gestão e planejamento aos moradores. Parece um acordo tácito entre inoperância e desmando.

A população sofre muito com a falta de água. Nunca foi pensado uma solução para mitigar esse transtorno. Um órgão que gasta milhões com caminhões pipa cuja utilização teria que ser transitória, virou norma, licitado e mesmo assim não atende. Porque o SAAEP não resolve nada que afeta de fato a vida das pessoas?

Vemos agora as inundações por toda a cidade. No Tropical novamente se ressalte a gravidade desses alagamentos devido a presença de muitas famílias em áreas de risco. Como vamos sair dessa? Como o grupo político responsável pretende resolver ou dar um paliativo a essas situações. Grave e triste, aguardar as próximas fatalidades.