sexta-feira, 4 de março de 2016

Translúcido ou transparente?



Polímero permite produção de cimento com propriedades translúcidas
Fabricado e patenteado por empresas internacionais, o material permite transmissão de luz natural e translucidez através das paredes
Texto: Gabriel Bonafé








 Vista externa do Pavilhão Italiano da Expo Xangai 2010 (Foto: divulgação/Italcementi Group)




Na fachada do Pavilhão Italiano da Expo Xangai 2010, duas coisas chamavam atenção: era possível ver a silhueta de pessoas e objetos através de paredes e, durante o dia, raios solares iluminavam alguns dos ambientes.

Para apresentar tais características, o edifício – projetado pelo arquiteto Giampaolo Imbrighi – utilizou cerca de 3,7 mil painéis de cimento com propriedades translúcidas em 40% de sua fachada.

O produto, patenteado pelo grupo italiano Italcementi, foi desenvolvido especialmente para atender à demanda arquitetônica do pavilhão. Sua fórmula conta com materiais cimentícios e polímeros. “São policarbonatos, epóxi, fibras de vidro, fibras ópticas, sílica coloidal, aminas e cimento Portland em proporções não divulgadas”, aponta Arnaldo Battagin, geólogo e gerente dos laboratórios da Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP).

É oportuno esclarecer que não se trata de um cimento transparente. Na verdade, o material constitui-se de placas de concreto com propriedades translúcidas 

Arnaldo Forti Battagin
As resinas agregam 92% de fator de transmissão óptica ao material, valor calculado conforme o DIN 5036 — Instituto Alemão para Normalização. Além disso, os painéis contam com aberturas de 2 ou 3 mm que permitem que raios de luzes perpendiculares atravessem o cimento em condição de luz direta.

Esses painéis podem ser utilizados em ambientes internos e externos, sendo mais indicados para coberturas, alvenarias, pisos e elementos decorativos. Atendem a demandas de redução de resíduos, pois são pré-fabricados, e diminuem o consumo de energia elétrica, já que permitem aproveitamento da luz natural. “Ao mesmo tempo, sua aplicação pode comprometer a privacidade”, pondera Battagin.

TRANSLÚCIDO OU TRANSPARENTE?
Ao se referir ao material, alguns meios o classificam como ‘cimento transparente’. “Mas é oportuno esclarecer que não se trata de um cimento transparente. Na verdade, o material constitui-se de placas de concreto com propriedades translúcidas”, corrige o gerente dos laboratórios da ABCP. Por não permitir que a luz percorra de forma regular e precisamente definida — cuja perfeição só possível por meio do vácuo —, não há a transparência propriamente dita.

OUTROS REGISTROS
Antes do grupo Italcementi, um cimento com propriedades translúcidas já havia sido desenvolvido também na Europa. “Sua origem remete às iniciativas do então estudante da Real Universidade de Estocolmo, o arquiteto húngaro Aron Losonczi”, conta Battagin.

Losonczi desenvolveu a primeira mostra do material em 2001 e a patenteou um ano depois. Em 2004, fundou a empresa Litracon, que também comercializa o produto. Ele é composto por fibras ópticas de vidro e cimento fino. Em um modelo mais recente, a empresa substituiu as fibras por plásticos translúcidos — policarbonatos e ligas acrílicas.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Mais quatro anos de trevas



SEGUNDO
MANDATO
A VISTA

“... quem me compra um jardim com flores?
Borboletas de muitas cores, lavadeiras e passarinhos
Ovos verdes e azuis nos ninhos?
Quem me compra este caracol?
Quem me compra um raio de sol?...
Leilão de Jardim, Cecilia Meirelles













Sinais indicam que o grupo no poder, à frente Valmir da Integral nem se preocupam mais com a reeleição, certa que esta. Listam mais de duzentas obras e preparam atentados aos dois únicos concorrentes de fato, Darci Lermen e Marcelo Catalão.

Atentados estes que estão em curso, conversas reservadas dão como certa que, se não houver atração, serão destruídas as candidaturas das possíveis ameaças. Os demais serão negociados, os gurus do gabinete garantem a cooptação.

Agrupar e cooptar, sorriem da movimentação às cegas da tal oposição. 

Mas Valmir esquece que tem culpa no cartório. Todas as investigações contra si e seu desgoverno ainda estão em curso, importantes testemunhas foram ignoradas e não pode haver blindagem que garanta hoje a segurança necessária a uma reeleição, mesmo quando este candidato tem nas mãos um cheque de 1,085 bilhão, 300 milhões de dólares.

Não podem esquecer que as obras de verdade mesmo foram iniciadas  pelo principal adversário e quando se busca obras desta gestão a decepção é muito grande. Terá que usar o artificio da Bel Mesquita quando entrou e cuidou da imagem de Chico das Cortinas, destruindo todas as  referencias e assumindo a inauguração das obras herdadas. Depois não precisou fazer mais nada, a não ser festas.

Agravam-se as denuncias contra esta gestão, justamente nas festividades do carnaval. Mais uma vez usou-se organização de fachada e laranjas para repasse de recursos para as festividades. É costume e comum o repasse de recursos a grupos fantasmas em todas as gestões, principalmente nesta, que parece optar pelo errado, pelo grotesco ou pelo desafio aberto as autoridades, a lei e aos costumes.

A coisa publica para Valmir e seu grupo não tem valor algum. É surpreendente a postura das autoridades coatoras, num silencio incomodante e perturbador.

Mas o prefeito avisa que será reeleito, já esta tudo conversado e acertado. As garantias são tantas e explicitas que já esta em campanha, “nas ruas”, sem medo de represálias e gritarias, sem grilos de rejeição.

O cerimonial esta montando para o show, o espetáculo desgraçado da corrupção, do jeitinho e do ajeitamento cínico e acobertado por quem deveria desnudar e repreender. As massas silenciosas e oprimidas tendem a dizer sim, que será assim, porque sabem que será assim, como “massa” que são. 

A única via de deserção esta vedada: o voto é obrigatório.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

Inaugurações pioram a saúde em Parauapebas




UPA,
MELHORIA OU ENGANAÇÃO?


Milhões foram desperdiçados numa obra para inglês ver. Precisamos do melhorar o sistema de atendimento e saúde reais, que se faz com pessoas, equipamentos e prédios. Edificação em si, é apenas edificação.










Vi em recente um belo comercial sobre a UPA de Parauapebas. É a maior do Brasil, construída com recursos próprios. É moderna, e um velhinho emocionado fala que o prefeito escolheu o melhor. É qualidade para todos os lados.

Algo salta aos olhos. Em nenhum dos comerciais ou propaganda do megaevento vi pessoas. Ninguém. Não vi referencias a médicos bons e especialistas nem vi referências a enfermeiros de alto nível ou mesmo algo referente a estoque de materiais e medicamentos, a sistema de consultas ou qualquer pessoa ou especialista falar e elencar as melhorias reais e imediatas que tal inauguração trará a caótica e terminal saúde de Parauapebas.

Mesmo porque, nestes três anos de luta o que vimos foi a destruição sistemática do que restou da saúde, desde os tempos de Bel Mesquita. Tudo foi vilipendiado ou destruído e hoje temos um sistema que não cabe em si, falido, sistematicamente desmoralizado e sem planejamento. O novo secretario rebola e incomoda mas esta fazendo seu papel.

O prefeito deveria ter noção do que fala. Nada do que faz ou fará convence que esta no rumo certo. Seu governo foi até agora destrutivo, achincalhador, covarde. 


É uma UPA de 15 milhões de reais... quando deveria ser de 4 milhões. Foi construída com recursos próprios por pura opção do grupo do poder. Jamais o MS iria desperdiçar recursos escassos numa edificação que não resistira ao tempo ou mesmo não terá suporte humano e logístico para atendimento de nível mínimo. É muito sério.

As obras de Valmir em preços estratosféricos. A corrupção grassa e onera a vida de Parauapebas pois estas empresas que estão levando vantagem mandam o dinheiro embora, nada ficando aqui. As verbas para investimento viram comodamente dinheiro de custeio de uma máquina obsoleta, atrasada, sem fiscalização ou freio, haja visto a forte blindagem com que conta o prefeito de Parauapebas.

E temos uma sociedade zumbi, que nada importa. Nem mesmo o tremendo momento reestruturante de 2012 que lança sérias dúvidas quanto ao futuro da cidade, incomoda os que aparentemente estão perdendo.

Não temos nada a comemorar na saúde. Ainda não, enquanto este prefeito ter a liberdade de ir a televisão contar mentiras e ninguém reagir, não teremos este momento de verdade. Lamentável.